
Pensar sobre o amanhã,
É pensar sobre o intangível,
Ou sobre aquilo que se quer ter, pegar e prender entre os dedos,
Mas que nos escapa, se esvai, como grãos finos de areia,
Que nos fogem por entre as mãos.
O amanhã é para se descoberto, não previsto,
É para voar livre, não para ser enjaulado,
É para bater sobre o solo como a chuva intensa,
E não se represar nos limites de uma possível programação
Programação, esta, sempre fadada a falhar,
Porque o amanhã é belo por ser falho,
Por ser algo que construímos dia a dia,
No hoje, no presente, no segundo,
E que, ainda assim,
Mesmo que sejamos o mais experiente dos arquitetos,
Não podemos assegurar, sem sombras, de que nosso amanhã não irá ruir
Ou se metamorfosiar em algo inesperado.
Assim o é.
Imprevisível
E por isso, belo
Selgavem
E por isso, intenso
Livre
E por isso, sem amarras das agendas
Assim o é, amanhã.
Renasce ao raiar de um novo sol
Nunca igual a outros sóis,
Página em branco cuja escrita reiniciamos
No momento em que despertamos para mais um conjunto de segundos, minutos e horas,
De nossa mísera existência,
Para a qual buscamos nova inspiração,
Para rascunhar nosso futuro.