quarta-feira, 6 de abril de 2011

AKIRA - Caos e amizade pós-apocalíptica


Não sei quanto a vocês, mas de vez em quando é bom remexer em coisas antigas. E isso inclui memórias e hábitos.
Meu primeiro contato com o mundo dos mangás (HQs japonesas que hoje são febre) foi em 1990 por meio de duas inspirações: AKIRA, de Katsuhiro Otomo, lançado pela Editora Globo, e Lobo Solitário (Kozure Ookami), de Goseki Kojima e Kazuo Koike.
Bom, esse fato é importante porque, literalmente, essas obras mudaram meu conceito de consumo de mídia de massa e me fizeram me apaixonar pela cultura japonesa.
AKIRA conta várias histórias costuradas pelo tema "caos". Tudo começa com Tokyo sendo destruída pelo que se considerou um desastre nuclear. Anos depois, em 2030, Neo Tokyo ressurge como um mundo de corrupção, tecnologia e delinquência.
AKIRA chama atenção por sobrepor várias histórias, algumas delas, tidas como principais. Analisando, julgo que AKIRA é, na verdade, a sequência decrescente desses temas:

- Amizade: tema principal do mangá, já que o fio condutor é a amizade entre os motoqueiros Kaneda e Tetsuo e o conflito dramático quando,após os poderes psíquicos de Tetsuo terem sido descobertos, este mudar completamente de personalidade, tornando-se um psicótico frio que se volta contra o amigo.

- Paranormalidade: os protagonistas de AKIRA, com exceção de Kaneda, são todos paranormais, dotados de poderes psíquicos. A paranormalidade dará o tom à série até o final que une poder e amizade na queda dramática de Tetsuo e o apelo de amizade de Kaneda.

- Espiritualidade: AKIRA questiona "o que é o homem?". Partindo do ponto de que a paranormalidade dos protagonistas é, de fato, uma evolução da humanidade, AKIRA questiona o que o homem é e pode ser.

- Poder: o poder corrompe. E AKIRA mostra isso. Tetsuo, antes de seus poderes latentes serem despertados, era um garoto tímido e submisso a Kaneda. Uma vez poderoso, torna-se um assassino na fúria de mostrar ao mundo "quem manda". Por sua vez, Kaneda entra em conflito com o amigo em busca de vingança pela morte dos ex-companheiros (todos assassinados por Tetsuo). Ao final, ao ver Tetsuo em ruína física e psíquica, Kaneda se comove e percebe-se que a amizade entre ambos nunca morreu.

AKIRA é completo e complexo demais para ser descrito aqui. Mas é um mangá sem igual que até hoje deixa saudade.

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